quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
A PIOR TRAIÇÃO É AQUELA QUE COMETEMOS CONTRA NÓS MESMOS
No consultório de psicologia, um dos principais entraves visto nas analises, são os momentos que percebemos que seu pior inimigo é VOCÊ MESMO. Por diversas razões, você é aquele que impede o seu próprio crescimento e evolução.
Fazemos planos, traçamos metas, temos sonhos mas nada se concretiza. Não conseguimos ter sucesso naquilo que desejamos.
Claro que existem condições da vida e erros que podemos cometer. Aqui estou pontuando os mecanismos que nós mesmos produzimos para não deixar que tenhamos o êxito.
Inicialmente, temos que ter bem claro qual ou quais são nossos reais objetivos. Por exemplo: crescimento profissional, ter um relacionamento afetivo bem sucedido, abandonar um vício.
A auto-sabotagem impede que o resultado positivo aconteça. Nós queremos, mas de alguma forma, nosso inconsciente não permite conseguir. Sem percebermos, o inconsciente está presente, criando estratégias em meio a “labirintos desconhecidos” que nos levam ao fracasso. Esses labirintos inconscientes podem estar relacionados a situações que vivemos em nossa infância (como ter ouvido muitas vezes coisas do tipo: você não é capaz, você não faz nada certo, você é feio, você não presta para nada, você é gordo, ninguém gosta de você), sendo assim, Se for uma questão relacionada ao passado, você precisa identificar para se libertar disso.
Outro entrave inconsciente são situações de “acomodação psíquica”. Na acomodação é como se a nossa mente procurasse nos manter na mesma situação, não aceitando a mudança que desejamos.
Por exemplo, para ilustrar a acomodação: A pessoa fuma e deseja parar de fumar e não consegue. É como se a mente dela “quisesse” que ela continuasse fumando pois entende que “dá trabalho” mudar o comportamento, tem que utilizar muita energia psíquica para realmente mudar.
Um outro fator que faz com que nos sabotemos é a ILUSÃO criada sobre situações e/ou pessoas. Exemplo: estar em um relacionamento conflituoso, doentio, que não proporciona felicidade e não sair dele por “achar” que o outro irá mudar. Ou não se esforçar, estudar, aumentar as suas competências “imaginando” que seu chefe irá te promover por considerar que você é uma boa pessoa, amigo.
Somente conseguiremos realizar mudanças em nossas vidas se realmente percebemos o que está tirando o foco.
Um exemplo de pequenas ações que são indicadores que uma auto-sabotagem acontece é, ter que alcançar uma meta (realizar um trabalho) e sempre que encontra algo um pouco mais complicado, você para, entra no facebook, sai tomar um café... e perde o foco do seu objetivo. Ou quando precisa ter uma conversa definitiva com seu parceiro (a), interrompendo o ciclo que não está te fazendo feliz, você acaba desistindo
Normalmente acontece uma angústia, uma ansiedade (certo “peso” na consciência) sempre depois dessas ações, pois sabemos que está indo na direção contraria do que desejamos. É como se a nossa mente mostrasse para nós mesmo o que você não quer se confrontar.
Aprender a focar e objetivar o que realmente se deseja, passa por saber analisar as condições externas (da realidade da situação, das condições para que isto seja realmente possível) e das condições internas (o que está me impedindo de conseguir meus objetivos).
Não seja seu traidor! Isso em grandes escolhas e também nas pequenas decisões do seu dia-a-dia.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
PODER
O poder fascina muitas pessoas, mas o que é de fato o “poder”?
As pessoas que possuem esse desejo de “ter poder” desejam na verdade muitas outras coisas: dinheiro, fama, necessidade de controlar outras pessoas, de sentir-se superior, ter status social, acumular diversos tipos de ganhos, não ter que dividir...
É uma pessoa insatisfeita que possui um forte sentimento de inferioridade que “evolui” para uma necessidade de domínio e acúmulo de posses. Sentem-se, muitas vezes inconscientemente, inseguras, fracassadas, rejeitadas, incompetentes.
Sendo assim, ela é dominada por um desejo ganancioso. Visa sempre um ganho nas suas atitudes, um lucro. Busca com isso se satisfazer, compensando dessa forma os sentimentos de inferioridade e incompetência que possui e a atormentam.
Diferencio a ganância da ambição. A ambição é o desejo de ganhos, conquistas, realização. Desejos estes necessários e saudáveis para o desenvolvimento das pessoas. É positivo se acontecer em um nível adequado. Ter certo grau de ambição é necessário, positivo para o crescimento e a realização de sonhos. Porém se esta ambição está exacerbada, em excesso, torna-se prejudicial, negativa, destrutiva e liga-se a ganância.
A pessoa que deseja o poder, nesse sentido, nunca se satisfaz, nunca supre as faltas que realmente sente pois não são essas conquistas que irão realmente fazê-lo deixar de sentir-se de fato frustrado.
Freud demonstra analisando Macbeth e a personagem Lady Macbeth (OS ARRUINADOS PELO ÊXITO Volume XIV das Obras Completas de Sigmund Freud) que as frustrações não são satisfeitas por esse poder e essas conquistas e muitas vezes arruínam as pessoas. Fica claro que obter o poder nunca traz a felicidade tão desejada. Essas pessoas serão sempre insatisfeitas, sentirão sempre inferioridade e incompetência e mesmo que atinjam os seus objetivos, muitas vezes não os suportam e chegam a adoecer e até mesmo morrer por isto.
Outro autor, Alfred Adler, diz muito em sua teoria sobre esse desejo de poder, o quanto as pessoas são motivadas e destruídas por ele. Sempre insatisfeitas, as pessoas podem fazer escolhas que a levem a caminhos muito negativos e que não atinjam os objetivos reais em se tornarem satisfeitas e felizes.
Vemos assim que o desejo de poder, não evolui os seres humanos pois é totalmente contrario a um pensamento de vida plena, em conjunto com os outros, uma vida social adequada e contendo felicidade e satisfação. Só demonstra o quanto que é movido pelo desejo de poder pensa individualmente e é dotado de grandes faltas e frustrações, prejudicando a si mesmo e certamente naqueles que convive ou domina.
Como diria Carl G. Jung: Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro.
Somente com o amor e o desprendimento da tentativa de compensações pelo poder esta pessoa poderá evoluir e um dia, resolver suas questões que o aterrorizam e causam tanto mal.
Kely Schettini
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Psicossomática
Quando começamos a entender as pessoas como seres formados pelos aspectos biológicos, sociais e psicológicos, percebemos que as doenças também devem ser compreendidas dessa forma.
Toda doença tem repercussões, aspectos psicológicos e sendo assim, podemos dizer o aspecto PSICOSSOMÁTICO da doença.
Nossa mente unida com aquilo que fazemos e com as condições do nosso corpo pode desencadear doenças e inevitavelmente, TODA doença provoca alterações nas nossas emoções. Muitas vezes mexem tão profundamente que mudam nosso modo de viver e “ver” a vida. Passar por certas doenças faz com que repensemos o que é realmente importante e tem valor.
A psicologia não oferece “curas milagrosas” para as doenças, mas ajuda a entender a totalidade da pessoa que está acometida de uma doença. Entendendo essas particularidades, possibilita o aumento das chances de melhora da mesma e até mesmo da qualidade de vida do paciente.
A questões emocionais estão relacionadas a todas as doenças porém, temos que ter o cuidado em lembrar que elas não são necessariamente a causa das doenças. Essas questões emocionais podem ser a causa, conseqüência, fator agravante ou aquele que proporciona a melhora do quadro.
É possível dizer que a Psicossomática é um entendimento sobre a saúde, o adoecer e as práticas de saúde envolvidas nos tratamentos das doenças.
Já é sabido que quando nos mantemos sob estresse, nosso sistema imunológico piora e assim nos tornamos mais propensos a adoecermos. É como se baixássemos as defesas do nosso corpo.
Com a psicologia, observamos a linguagem do nosso corpo. A doença pode ser entendida como um “grito” desse ser que sofre. O entendimento psicológico do corpo pode nos ajudar a prevenir as doenças, a tratá-las (lidando da melhor forma ao estar doente) e o que é possível aprender após passarmos por um adoecimento.
Atualmente já podemos trabalhar com as mais diversas doenças, desde alergias ao câncer, passando por doenças cardíacas, estomacais e todas as demais. A partir deste conhecimento a psicologia hoje está sendo cada vez entendida como necessária dentro dos hospitais e dos sistemas de saúde por possibilitar um melhor tratamento dos pacientes, aumento da qualidade de vida, redução do tempo das internações, redução da utilização de todo os sistemas de saúde pelos pacientes crônicos devidos as melhoras conquistadas com a conscientização sobre as doenças entre muitos outros benefícios.
Portanto cuide das suas emoções para não adoecer. Preste atenção nas suas emoções, nos seus sentimentos! Isto interfere diretamente em sua saúde. Se estiver doente analise o que está envolvido nisso, seus sentimentos negativos, seus apegos, sua ansiedade, o seu desejo de se curar ou o quanto não está feliz em viver. Ter alegria, bem estar e sentimentos positivos vão ajudar no seu tratamento. Ao passar por uma doença, questione quais são as lições que passar por isso pode te mostrar, o que você tem que aprender com isso tudo.
Sua mente pode ser um ótimo remédio!
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
O que te interessa?
Como funciona o nosso interesse? O que faz interessarmo-nos por uma ou outra coisa? O interesse é uma determinação psíquica ligada a várias instâncias da nossa mente. Inevitavelmente o interesse é ligado ao juízo, sendo assim, aquilo que nos interessa pode trazer benefícios ou causar mal. Também definir o que nos interessa vai delimitar facetas da nossa condição moral. O interesse é diferente da motivação, ele vai além dela. A motivação é a força que nos move. O interesse já envolve uma escolha, o empenho, força de vontade, em função de um objetivo. O interesse é a capacidade que faz as descobertas acontecerem, o mundo evoluir, mas se o interesse não for bem usado, pode nos machucar ou mesmo nos destruir. A curiosidade em responder as questões é que faz e fez as pessoas pensarem e agirem buscando compreender e modificar o mundo conforme aquilo que desejam. Na sua composição, aquilo que nos interessa sempre envolve o valor que damos a uma questão, por que ele está diretamente ligado a função mental do juízo crítico. Para entender como o interesse é despertado nas pessoas, citarei algumas áreas para exemplificar a situação. No caso da educação, vemos e ouvimos muitas discussões entre os professores para despertar o interesse em seus alunos nas matérias e temas apresentados. Nesse âmbito, é mais simples conseguir isso trazendo questões atuais, do cotidiano do aluno, para que a informação transmitida faça sentido para ele. Deste modo é mais fácil ele perceber o valor daquela informação. Em física, química, biologia, os alunos gostam muito das feiras de ciências por conseguirem se envolver com a matéria, testando em experimentos práticos as teorias apresentadas. Na educação de adultos, vemos aulas de português e matemática descrevendo situações do cotidiano dessa pessoa. Vemos o bom exemplo da educação experimental trazendo muitos benefícios por conseguir despertar-lo. O Interesse está ligado ao prazer. O prazer é o motivador que nos fará buscar algo que possa ser satisfatório. Sendo assim, na educação, resolver problemas que “façam sentido na vida do aluno” torna-se prazeroso para ele e o fazer permanecer interessado no tema. Em um espectro psicológico maior, o interesse está totalmente ligado em como formamos nosso caráter. Aquilo que nos interessa pode determinar o limite de sermos uma pessoa ética ou não. Como já disse, nossos interesses estão diretamente ligados aos valores que damos as situações. O interesse individual pode ser positivo quando buscamos melhorias e crescimento sem prejudicar aquele que está a nossa volta. Quando você deseja algo, você deve perceber os limites dessa ação. Buscar algo a qualquer custo, certamente causará mal à outras pessoas. Nas amizades vemos isto de diversas maneiras como: a pessoa se aproxima da outra por gostar dela e desejar a sua amizade. Isto é um interesse positivo; agora se a pessoa se aproxima de alguém para conseguir se aproximar de uma outra pessoa, sem valorizar a primeira, pode simplesmente estar USANDO esta primeira. Quando a pessoa “faz amizade” com outra de fora da cidade só para conseguir ter onde ficar (amigo hotel), quando cria esse vínculo com alguém só por que ela tem carro (amigo táxi) ou por aquele que traz benefícios financeiros (amigo caixa eletrônico) são interesses num aspecto negativo. No interesse individual, devemos buscar temas que nos faça crescer, evoluir dentro de uma ética. O importante é não ultrapassar o limite da outra pessoa, o respeito. Buscar aprender sempre, ter a nossa mente aberta a um mundo que não se limite ao nosso ego. Devemos também aprender a diferenciar o que são questões de interesse particular e interesse público. Quando a pessoa exerce um papel que representa outras pessoas, ela não deve se apegar ao que é interessante pessoalmente mas ao que interessa a maioria dos que ela representa. O bem comum é o valor que deve estar envolvido nas escolhas daquilo que é interessante ao público. Esse conceito do que é público permeia tanto cargos como gerentes, diretores empresariais assim como aqueles que estão envolvidos politicamente. Sempre que represento outras pessoas, o meu desejo, o meu ego não é a primeira instância a ser satisfeita e sim o desejo da maioria / daquilo que represento. Portanto, o interesse é algo que deve ser olhado com muito empenho. Nem tudo que é estimulante e motivador, deve ser transformado em objeto de interesse e assim desenvolvido. Nem tudo o que desejamos nos é permitido realizar. Repense seus interesses e objetivos, veja quais estão fazendo você evoluir como pessoa. Veja se você não está desperdiçando tempo, energia em algo que não tem valor de fato. Não use o interesse à te prejudicar ou prejudicar outras pessoas. Evolua sempre! A psicologia está aqui para nos ajudar!
Kely Schettini
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
CUIDAR, MAS SEM DESCUIDAR-SE!
É muito difícil para uma pessoa assumir cuidar de alguém que se tornou dependente. Essa dificuldade já começa pela própria decisão. Muitas vezes a pessoa “se torna” cuidador aos poucos, sem perceber de fato esse movimento. Outras vezes se vêem “obrigadas” (moralmente, financeiramente, ou por amor simplesmente) a tomar essa decisão.
Cuidar de alguém traz muitas repercussões. É uma responsabilidade muito grande e para enfrentá-la é preciso conhecer um pouco sobre como fazer isso da melhor para quem é cuidado e para si mesmo.
Quem cuida, muitas vezes abre mão dos próprios sonhos, estilo de vida, rotina e até amores. Não conhecer o que envolve cuidar de alguém, conhecer a doença que acomete essa pessoa ou mesmo ser somente o processo de envelhecimento, com o passar do tempo, se a pessoa não procurar orientação para lidar com a situação de ser um cuidador, pode desenvolver sintomas do que pode ser conhecido como “síndrome do cuidador”. Muitas vezes torna-se depressivo, amargurado e com diversos sentimentos de culpa. Os sintomas mais comuns são:
• Esgotamento emocional;
• Cansaço físico constante;
• Alto nível de estresse;
• Irritabilidade;
• Pessimismo;
• Baixa auto-estima;
• Agressividade;
• Mudanças bruscas de humor;
• Dificuldade de concentração e memória;
• Desenvolvimento de vícios como abuso de álcool e medicamentos;
A primeira atitude a tomar é aceitar e entender o fato de que é um cuidador. Ao assumir isto, buscar conhecer o que acontece com aquele que lhe é dependente. No caso de um cuidador de idosos, entender o processo do envelhecimento, a perda de capacidades físicas e psíquicas. E se ele possuir outras doenças psiquiátricas ou neurológicas, entender como são os sintomas, como é a evolução dela, e principalmente as alterações no comportamento da pessoa.
A partir do momento que começamos a entender melhor o que acontece, com as reais necessidades e limitações daquele que é cuidado, conseguimos lidar melhor com a situação. Não adiante exigir que o idoso “lembre” de certas coisas: sua memória recente é afetada no processo de envelhecimento. Entender que o idoso “desconta seus sentimentos ruins” especialmente em quem fica ao lado dele (escuto sempre frases do tipo: não entendo o por quê que ele me xinga, sempre fala que o outro faz melhor, se trato ele com tanto carinho e amor). Isso é um exemplo de comportamento normal do idoso – ele desconta por que sabe, de alguma forma, que esta pessoa irá ficar sempre ao lado dele. O cuidador deve aprender a lidar com essas particularidades.
Quem cuida deve aprender a confiar em outras pessoas para auxiliá-lo nessa tarefa. É normal ter sentimentos de angústia, medo, insegurança, culpa. É como se a pessoa sentisse que se ela sair de perto, descansar um pouco, fazer uma viagem para relaxar ou mesmo sair uma tarde para conversar com amigos, algo de ruim irá acontecer ou que somente ele sabe cuidar direito e o outro não vai conseguir.
O cuidador PRECISA desses tempos, precisa ter espaço para uma vida pessoal, independente daquele que ele cuida.
É muito comum que depois que o idoso vem a falecer, o cuidador perceba que não tem uma vida de fato sua. As angústias, amarguras e frustrações começam a ser descarregadas em outras pessoas e situações. Tendem a buscar outras coisas para se apegar e responsabilizar pois sentem dificuldade de encontrar seu próprio caminho.
Portanto, se assumiu cuidar de alguém, não deixe de se cuidar! Você não está sozinho. Busque orientação e auxílio para esta tarefa que exige muita dedicação, carinho e principalmente amor.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Comportamento de vício
O que é o vício? Será que você é viciado em alguma coisa?
Saber reconhecer o que é o vício é fator fundamental para conseguirmos identificar se nos tornamos viciados em algo ou mesmo em algum modo de agir.
Vício é um comportamento repetitivo que como conseqüência resultará em algo prejudicial, negativo. Em um primeiro momento, essa repetição da ação pode proporcionar prazer, mas, posteriormente, ocasionará algum dano, físico e/ou psicológico.
É possível desenvolvermos vícios dos mais variados tipos. Aqueles mais conhecidos como: vício em bebidas alcoólicas, jogo, cigarro, drogas lícitas (como remédios) e ilícitas (como cocaína, crack), sexo, internet, e vícios considerados mais bizarros como por exemplo: comer terra, arrancar cabelos. Outros vícios comuns são os psicológicos como: ter que verificar diversas vezes se trancou a casa, lavar inúmeras vezes as mãos com medo de contaminação por germes e bactérias, somar todos os números placas de carro.
O importante é identificarmos quando estamos viciados em algo. A partir desse momento conseguimos iniciar um tratamento adequado. É um tratamento difícil porque o ciclo do vício envolve prazer imediato. Pode começar a ser percebido quando começamos a “sofrer”, a “ficar angustiado”, até mesmo com dores pelo corpo e outros sintomas físicos se não realizarmos aquele comportamento desejado. O sofrimento pode chegar a ser tão forte que paralisa. Não se consegue fazer mais nada antes de repetir aquele comportamento.
O vício está ligado a ANSIEDADE. É como se quiséssemos “descarregar” a ansiedade sentida por alguma outra coisa. Esses comportamentos podem ser classificados como Transtornos Obsessivos Compulsivos: obsessivos por conta dos pensamentos repetitivos e compulsivos pela necessidade de repetir esses comportamentos. No caso de vícios relacionados a substâncias, eles recebem classificações e tratamentos específicos para cada uma delas.
Também é necessário saber que é possível desenvolver vícios com mais facilidade se já existem casos com parentes próximos – componente genético. Também existem pessoas que entram em contato com certas substâncias e se viciam imediatamente como outras demoram mais. Portanto, vício não é só uma questão de “escolha errada”. Ninguém sabe como o seu corpo vai reagir ao tomar contato com substâncias com potencial para viciar. Qualquer um pode, algum dia estabelecer um comportamento de vício. Esses comportamentos têm influências sociais, psicológicas e biológicas.
A partir do momento que o vício é identificado, devemos começar o tratamento o mais rápido possível. Quanto mais tempo demoramos, mais o comportamento vai se cristalizando e ficando cada vez mais difícil a reversão. O tratamento é difícil por conta de que este comportamento dá prazer a pessoa. Quando iniciamos a retirada dele, lidamos com aspectos depressivos, frustrações, angustias que estavam sendo anestesiadas, escondidas.
Não tratando, a pessoa começa a se prejudicar tanto fisicamente quanto psicologicamente e socialmente. Começa a deixar de viver uma normalidade para ter que repetir aquela ação, e com o passar do tempo isso vai se intensificando. Torna-se cada vez mais “preso” ao vício.
A batalha não é fácil. É sofrida e necessita de muito apoio, vontade, entendimento e aceitação do erro que é o vício. Pode necessitar de medicamentos para suportar a abstinência, a falta do vício e terapia psicológica para realmente MUDAR esse modo de agir e “curar” as reais causas desse sintoma vício.
Kely C. Schettini
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
O que te interessa?
Como funciona o nosso interesse? O que faz interessarmo-nos por uma ou outra coisa?
O interesse é uma determinação psíquica ligada a várias instâncias da nossa mente. Inevitavelmente o interesse é ligado ao juízo, sendo assim, aquilo que nos interessa pode trazer benefícios ou causar mal. Também definir o que nos interessa vai delimitar facetas da nossa condição moral. O interesse é diferente da motivação, ele vai além dela. A motivação é a força que nos move. O interesse já envolve uma escolha, o empenho, força de vontade, em função de um objetivo.
O interesse é a capacidade que faz as descobertas acontecerem, o mundo evoluir, mas se o interesse não for bem usado, pode nos machucar ou mesmo nos destruir.
A curiosidade em responder as questões é que faz e fez as pessoas pensarem e agirem buscando compreender e modificar o mundo conforme aquilo que desejam.
Na sua composição, aquilo que nos interessa sempre envolve o valor que damos a uma questão, por que ele está diretamente ligado a função mental do juízo crítico.
Para entender como o interesse é despertado nas pessoas, citarei algumas áreas para exemplificar a situação.
No caso da educação, vemos e ouvimos muitas discussões entre os professores para despertar o interesse em seus alunos nas matérias e temas apresentados. Nesse âmbito, é mais simples conseguir isso trazendo questões atuais, do cotidiano do aluno, para que a informação transmitida faça sentido para ele. Deste modo é mais fácil ele perceber o valor daquela informação. Em física, química, biologia, os alunos gostam muito das feiras de ciências por conseguirem se envolver com a matéria, testando em experimentos práticos as teorias apresentadas. Na educação de adultos, vemos aulas de português e matemática descrevendo situações do cotidiano dessa pessoa. Vemos o bom exemplo da educação experimental trazendo muitos benefícios por conseguir despertar-lo.
O Interesse está ligado ao prazer. O prazer é o motivador que nos fará buscar algo que possa ser satisfatório. Sendo assim, na educação, resolver problemas que “façam sentido na vida do aluno” torna-se prazeroso para ele e o fazer permanecer interessado no tema.
Em um espectro psicológico maior, o interesse está totalmente ligado em como formamos nosso caráter. Aquilo que nos interessa pode determinar o limite de sermos uma pessoa ética ou não. Como já disse, nossos interesses estão diretamente ligados aos valores que damos as situações.
O interesse individual pode ser positivo quando buscamos melhorias e crescimento sem prejudicar aquele que está a nossa volta. Quando você deseja algo, você deve perceber os limites dessa ação. Buscar algo a qualquer custo, certamente causará mal à outras pessoas.
Nas amizades vemos isto de diversas maneiras como: a pessoa se aproxima da outra por gostar dela e desejar a sua amizade. Isto é um interesse positivo; agora se a pessoa se aproxima de alguém para conseguir se aproximar de uma outra pessoa, sem valorizar a primeira, pode simplesmente estar USANDO esta primeira. Quando a pessoa “faz amizade” com outra de fora da cidade só para conseguir ter onde ficar (amigo hotel), quando cria esse vínculo com alguém só por que ela tem carro (amigo táxi) ou por aquele que traz benefícios financeiros (amigo caixa eletrônico) são interesses num aspecto negativo.
No interesse individual, devemos buscar temas que nos faça crescer, evoluir dentro de uma ética. O importante é não ultrapassar o limite da outra pessoa, o respeito. Buscar aprender sempre, ter a nossa mente aberta a um mundo que não se limite ao nosso ego.
Devemos também aprender a diferenciar o que são questões de interesse particular e interesse público. Quando a pessoa exerce um papel que representa outras pessoas, ela não deve se apegar ao que é interessante pessoalmente mas ao que interessa a maioria dos que ela representa. O bem comum é o valor que deve estar envolvido nas escolhas daquilo que é interessante ao público.
Esse conceito do que é público permeia tanto cargos como gerentes, diretores empresariais assim como aqueles que estão envolvidos politicamente. Sempre que represento outras pessoas, o meu desejo, o meu ego não é a primeira instância a ser satisfeita e sim o desejo da maioria / daquilo que represento.
Portanto, o interesse é algo que deve ser olhado com muito empenho. Nem tudo que é estimulante e motivador, deve ser transformado em objeto de interesse e assim desenvolvido. Nem tudo o que desejamos nos é permitido realizar.
Repense seus interesses e objetivos, veja quais estão fazendo você evoluir como pessoa. Veja se você não está desperdiçando tempo, energia em algo que não tem valor de fato. Não use o interesse à te prejudicar ou prejudicar outras pessoas.
Evolua sempre! A psicologia está aqui para nos ajudar!
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